Sonhos de uma noite de verao

Ela estava debrucada na janela, segurando um ursinho de pelucia e observando a chuva que cai la fora, os poucos raios de sol que passavam por entre as nuvens refletiam nas ondas de seus cabelos fartos e rebeldes, de quem nunca deixa a mae pentiar, uma cor diferente, uma mistura de loiro com uma leve nuance avermelhada, a marca registrado do avo paterno.

Propositalmente ela respirava contra o vidro da janela, fazendo com que ficasse embasado, e rapidamente tentava escrever algo como seu dedinho indicador esquerdo tao fofo, com a unha quadrada, canhota que nem o Pai, mas as letras sumiam tao rapido quando o embasado da janela, talvez fosse o seu nome, mas eu so vi um “V”.

A pernas longas, e fortes, e maneira de apoiar o pezinho direito no joelho esquerdo formando um 4 (quase) em balanco, tinha algo familiar, e quando ela percebeu que nao estava sozinha, rapidamente se virou, me deixando ver um rostinho redondo, na moldura de uma franja mal cortada, com uma boquinha toda suja de chocolate, e um par de olhos verdes ilumidados por um sorriso travesso, aonde ela empurava a lingua entre a janelinha formada pela ausencia dos dentinhos da frente.

Eu sorri de volta e contemplei aquela imagem por alguns segundos talvez, antes que me desse conta que precisava acordar e deixa-la ali, aonde apenas os sonhos de noites de verao permanecem.

O meu lado na cama me pedindo comida a Mitsy, minha gata, e a minha frente mais um dia nessa realidade.


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